Farol de Mosqueiro

Farol de Mosqueiro
Farol de Mosqueiro

domingo, 14 de dezembro de 2014

Francisco Xavier Dias Cardoso



Quem frequenta Mosqueiro sabe que algumas ruas do bairro da Vila, em Mosqueiro, são conhecidas como 1ª rua, 2ª rua e assim por diante. Esta ordem foi estabelecida para ruas paralelas na medida em que vão se afastando da orla, onde se localiza o trapiche. Poucos conhecem o nome que elas recebem e é sobre Francisco Xavier Dias Cardoso, que denomina a 6ª Rua, que este artigo pretende contar um pouco da sua história em Mosqueiro.

Viúvo de Dona Alzira e pai de dois filhos, o farmacêutico Francisco Xavier Dias Cardoso recebeu a notícia de que sofria de um grave problema de saúde nos pulmões. A família não sabe dizer qual a natureza do mal, certamente por conta do preconceito que havia na época com relação às doenças como pneumonia, tuberculose, dentre outras. O tratamento sugerido passava pela mudança para Mosqueiro onde o clima era perfeito quando se tratava de doenças respiratórias.

Francisco Cardoso não pensou duas vezes, arrumou as malas e mudou-se para Mosqueiro juntamente com os filhos Cláudio e Euvaldo. Construiu uma bela residência de dois pavimentos, próxima a praia do Areão. Ele já era um farmacêutico conceituado, tendo, inclusive, recebido condecoração em Paris por conta de uma de suas fórmulas. Em um tempo em que a poderosa indústria farmacêutica não tinha o domínio que possui hoje, os profissionais como Francisco Cardoso desenvolviam seus próprios medicamentos, era o tempo dos boticários. Não demorou muito para montar a Farmácia Cardoso, localizada na Rua Pratiquara, entre a 2ª Rua (Senhora do Ó) e 3ª Rua (Cel. José do Ó).

Seus filhos Cláudio e Euvaldo foram matriculados na escola Inglês de Souza, onde tiveram a oportunidade de cursar as séries iniciais. O tratamento deu tão certo que Francisco Cardoso encontrar a mosqueirense Francisca, com ela namorou e contraiu matrimônio. Desta relação nasceram as mosqueirenses Helena e Guinda.

Além de farmacêutico, Francisco Cardoso também exerceu a função de Juiz de Paz e Parteiro. Nesta condição, foi responsável por diversos casamentos e partos em vários lugares do amplo território de Mosqueiro que, naquela época, não dispunha de uma malha viária que permitisse a integração entre os diversos vilarejos. Inúmeras foram as vezes em que pegou um barco, navegou pelo Furo das Marinhas, onde as águas são menos revoltas, e chegou à Vila da Baia do Sol ou em algum dos Sítios, lá existentes, para ajudar na formação de uma nova família ou amparar nas mãos um novo mosqueirense.

Recentemente, após proferir palestra para alunos do Colégio Inglês de Souza, ocasião na qual fiz referência ao Francisco Cardoso e seus filhos, fui abordado pela Diretora daquele estabelecimento.  O interesse dela era me mostrar um volume, doado por parentes de Francisco Cardoso, contendo diversas partituras. Para minha surpresa, entre as músicas lá contidas estava um Hino de Mosqueiro, o Hino do Tricentenário de Belém, dentre outros, todos de sua autoria.


Seguindo a tradição da época, na qual as pessoas talentosas acabavam assumindo diversas atividades profissionais e não profissionais, Francisco Cardoso não foi uma exceção. Mudou para Mosqueiro em busca de saúde, mas terminou deixando sua marca e legado para o lugar que lhe proporcionou momentos muito significativos.  Para o leitor que ainda não sabe, Francisco era meu bisavô, pai do meu avô materno. O Blog Mosqueiro Pará Brasil dedica esse artigo para as principais fontes de consulta, as netas de Francisco, Maria de Lourdes Cardoso Brandão, minha mãe e Alzira Cardoso Pinheiro, a tia Ziroca.

2 comentários:

  1. Olá Eduardo,meu nome é Henrique Costa, sou Neto de Carmosina Cardoso talvez seja irmã do seu Bisavô. O pai era o Dr. Antônio Firmo Cardoso Costa, Advogado e Diretor da Escola Normal e P de Carvalho ?? Se for manda um OK pra mim.

    ResponderExcluir
  2. Eduardo, Seu bisavô tinha um irmão chamado António Firmo Dias Cardoso Júnior. Por favor, caso ele seja irmão dele me manda um e-mail para pode me comunicar com você, estou procurando a história do meu bisavô.
    Carla Cardoso

    ResponderExcluir